quarta-feira, 13 de junho de 2012

Osteoporose.


Osteoporose

A osteoporose é uma doença que atinge os ossos. Caracteriza-se quando a quantidade de massa óssea diminui substancialmente e desenvolve ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos a fraturas.

Osteoporose significa osso poroso, ou seja, é a descalcificação progressiva dos ossos que os tornam frágeis.

Os ossos crescem até os 20 anos, a partir daí, a densidade aumenta até os 35 anos e começa a perda de massa progressivamente.

O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis de estrógeno no organismo. O estrógeno – hormônio feminino (nos homens há em menor quantidade) – ajuda a manter  o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea. 

As mulheres são as mais atingidas pela doença, uma  vez que, na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente. Com isso, os ossos passam a incorporar menos cálcio (fundamental  na formação do osso), tornando-se mais frágeis. Para cada quatro mulheres, somente um homem desenvolve esta patologia.

Os ossos se modificam ao longo da vida.  O organismo está constantemente fazendo e desfazendo ossos. Esse processo depende de vários fatores como genética, boa nutrição, bons níveis de hormônio e prática regular de exercícios.


Perguntas mais frequentes.

Quem não gosta de leite apresenta maior risco de ter osteoporose ?
Não. Uma das dicas de prevenção da doença é preocupar-se com a ingestão mínima de cálcio necessário para manter os ossos saudáveis. Produtos como.:  Verduras, laticínios e derivados, verduras de folhas escuras (brócolis, espinafre, couve) etc   são ricos em cálcio.

A osteoporose não tem cura e não pode ser tratada?
A osteoporose não tem cura mas pode ser estabilizada, com uma alimentação adequada, exercícios físicos e exposição ao sol por, em média, de 20 a 30 minutos diários, no horário até as 10 da manhã.

Quem tem osteoporose não pode praticar atividade física?
Pelo contrário. Praticar exercícios físicos é essencial. Nesse caso, os exercícios devem ter impacto mínimo. Caminhada é a atividade mais recomendada.

Devo me preocupar com a osteoporose somente após a menopausa?
Não. O nível de cálcio no organismo, de fato, é menor após a menopausa, mas a sua incidência não está ligada a esta fase. Sua prevenção deve ser uma preocupação ao longo da vida.

A osteoporose é uma doença feminina?
Mulheres tem mais osteoporose que os homens, pois tem ossos mais finos e mais leves e apresentam perda óssea importante durante a menopausa. No entanto, homens com deficiência alimentar de cálcio e vitaminas estão sujeitos à doença.

A osteoporose é hereditária?
Não significa que, se o histórico familiar é favorável à osteoporose, todos vão desenvolver a doença, mas deve-se tomar cuidado redobrado na prevenção da doença. A vitamina D é mais eficiente na absorção do cálcio em algumas pessoas do que em outras, e esta característica é hereditária.

Por que a osteoporose é denominada “doença silenciosa”?
Porque ela não causa nenhum sintoma. O diagnóstico para identificar  osteoporose é medir a densidade óssea com auxilio da Densitometria  Óssea, que é um exame rápido e indolor.

Quais os alimentos ricos em cálcio, mais indicados para prevenção da osteoporose?
- Leite e derivados como queijos e iogurtes,
- Verduras de folhas escuras, como brócolis, espinafre e couve.
- Carnes magras como frango sem pele.
- Sucos de frutas frescas.
- Peixes.

Quais os cuidados mais elementares?
- Exame oftalmológico regular.
- Exponha-se ao sol de forma moderada. Os raios ultravioleta sobre a pele  estimulam a produção de vitamina D, fundamental para a absorção do cálcio pelo organismo.
- Não fume e evite o consumo excessivo de álcool.

Qual a diferença entre Osteoporose e Osteopenia?
A osteoporose apresenta uma perda de massa óssea acima de 2,5 desvio de padrões de uma curva de normalidade e a osteopenia em grau preocupante porém menor que 2,5. Popularmente falando, é o primeiro estágio para a osteoporose.

 Osteoporose dói?
Não. Mas as fraturas sim.


Material pesquisado no Google.

Agente da Pastoral da Sobriedade
Participante do Grupo Esperança Viva
Agda

Efeitos colaterais - Insônia


Efeitos colaterais  da droga na família

Insônia

Junto com a dependência química, efeitos colaterais contaminam a família, e são esses efeitos que temos que combatê-los, ou amenizá-los, para a sanidade de todos.
1)       Insônia
2)      Estresse
3)      Sentimento de culpa
4)       Depressão
5)      Hipertensão
6)      Baixa auto estima
7)      Queda da imunidade
8)      AVC


Insônia


A insônia é a variação do tempo de sono necessário e suficiente para cada indivíduo sentir-se bem e ter um bom desempenho no dia seguinte. Às vezes a insônia é um sintoma depressivo e cederá quando os sintomas da depressão findar.
A insônia é a dificuldade de adormecer ou de permanecer dormindo ao longo da noite, e afeta o humor, prejudica a capacidade de trabalho e atinge a saúde. Dormir mal é sinônimo de viver mal.

 Os médicos precisam traçar um perfil da insônia de cada paciente antes de indicar um tratamento, por isso fazem perguntas sobre o tempo de evolução do problema, para saber se é aguda ou crônica, a frequência dos sintomas, a causa e a intensidade para saber se é leve, moderada ou grave.

Um dos exames mais solicitados é a polissonografia, uma espécie de radiografia do sono. O paciente dorme no hospital monitorado por sensores para avaliar as fases do sono e se tem doenças que afetam o descanso.

Especialistas indicam uma nova receita para o tratamento da insônia, problema que atinge 20 milhões de pessoas no Brasil. Assistir à televisão, ficar no computador, ver o e-mail, andar pela casa ou rolar na cama e ficar à espera do sono… Estes são comportamento normais para quem sofre de insônia.

Identificar estes sinais e sintomas da insonia pode ajudar você a perceber o seu problema e a começar a resolver o problema de não conseguir dormir.

Depois de descobrir que sofre de insonias tem de tomar passos para resolver o problema.

Deve evitar começar a utilizar fármacos para conseguir dormir pois a sua dependência acontece com muita rapidez.


Roteiro para um Bom Sono

Existem vários passos que pode tomar para se livrar da insonia e ter um sono normal. Conheça algumas recomendações da terapia cognitivo comportamental.
Esta terapia contra a insonia ajuda as pessoas a resolverem o seu problema de uma forma natural e sem remédios.

Você pode melhorar o seu sono e fazer a insonia desaparecer com alguns hábitos, e sem medicamentos ou fármacos! Isso é possível fazer e ao mesmo tempo vai aumentar a sua qualidade de vida.


Aqui estão os passos para um bom sono:


Dicas para uma boa noite de sono.


1º.) Respirar profundamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca, e relaxar cada parte do corpo até sentir-se muito pesado. 

2º.) Sentir seus membros inferiores e superiores, a começar pelas extremidades, e ir seguindo os membros, acompanhando toda sua extensão, lentamente.

3º.) Contagem de carneirinho. A necessidade de não perder a contagem numérica dos carneirinhos desvia o foco de atenção do problema que está causando a perda do sono.

4º.) Mentalização de belas imagens. A beleza da mentalização relaxa os músculos, trazendo serenidade ao corpo.

5º.) Chás naturais, para ingestão de forma tranquila, momentos antes de deitar.

6º.) Não se alimentar de comidas pesadas antes de dormir (Feijoada, vatapá, etc)

7º.) Nunca pensar que não pode dormir – isso reforça a sua insônia.

8º.) Anotar os afazeres do dia seguinte em agenda ou qualquer papel evitando assim pensar neles ao deitar-se.

9º.) Procurar deitar-se e levantar-se todos os dias no mesmo horário.

10º.) Fazer alongamentos, tencionar e flexionar os músculos várias vezes , assim com respirar profundamente antes de ir para a cama.

11º.) Se possível ouvir um pouco de música suave.

12º.) Tomar banho com água morna e se possível prover uma massagem de dormir.

13º.) Fazer exercícios com regularidade – nunca antes de dormir.

14º.) Ambiente sem ruído excessivo.

15º.) as condições do colchão e travesseiros e a influência do companheiro de cama

16º.)Nunca brigar com o sono, se não dormiu depois de no máximo 30 minutos, levantar-se e entreter-se com algum atividade calma como a leitura

17º.) Evitar o café após as 16:00hs e demais produtos estimulantes – excitantes.



Medicamentos para insônia

A recomendação é que os remédios para a insônia apresentem baixo risco de dependência e que sejam tirados aos poucos. Muitas pessoas tomam remédios para a insônia indevidamente e ficam dependentes passado algum tempo.
O problema da dependência de remédios e medicamentos para a insônia é que as doses dos medicamentos tem de ser aumentadas ao longo do tempo para ter o mesmo efeito  para o paciente conseguir adormecer. Assim o melhor é fazer um tratamento contra a insônia sem medicamentos ou remédios.
A insônia é um problema que lhe vai dar mais stress e diminuir a sua qualidade de vida e saúde, quanto mais rápido começar a tratar do problema, melhor é.







Atenção.
Dormir mal está relacionado a diabete tipo 2, altos níveis de estresse, ansiedade profunda,  entre outros males.

Durma
Pra começar, é preciso ter a consciência de que ter um dia equilibrado e produtivo começa com uma noite bem dormida. A falta de sono é uma das principais causas de irritação e estresse no dia a dia.


Durma de verdade
Algumas pessoas mesmo após dormir uma noite inteira, acordam cansadas e sem energia. Por que isso acontece? Simplesmente porque a qualidade do sono é mais importante do que a quantidade de sono. Nosso cérebro precisa de pelo menos 4 ciclos de 90 minutos para ficar completamente descansado. Cada ciclo vai do relaxar e conseguir chegar ao estado REM mais facilmente é procurar relaxar pelo menos uma hora antes de dormir.

Material pesquisado no Google.

Agente da Pastoral da Sobriedade
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Agda

Efeitos Colaterais - Estresse



Efeitos Colaterais – Estresse.


O estresse não é uma doença, é o estado do organismo quando submetido à tensão. Numa situação estressante, o corpo sofre reações químicas. Em excesso, isso pode prejudicar o organismo.

Estudos científicos indicam que as pessoas adoecem com mais freqüência quando estão estressadas. No caso de uma separação ou perda de emprego por exemplo, baixam as defesas de imunidade do indivíduo e ele pode, mais facilmente, contrair doenças.

Geralmente, os sintomas são um sinal de alerta para que a pessoa concentre sua energia para restabelecer o equilíbrio entre a mente e o corpo. Por esta razão, estar atento aos possíveis sintomas de estresse é uma atitude saudável e preventiva para todos aqueles que no atual contexto do mundo moderno estão sujeitos a situações estressantes.

Entre os principais sintomas do estresse, destacam-se:
Sinais de cansaço, tristeza, dor de cabeça, grande agitação, constantes crises de tensão e angústia; diminuição da produtividade, isolamento, mau humor, medo, sudorese intensa, irritação, incapacidade de domínio sobre as emoções, etc...
Em síntese, o estresse realmente existe e afeta sua vida, por isto fique atento aos sintomas, as reações orgânicas e psíquicas que anunciam problemas físicos e emocionais.

Como tudo isso acontece?
O córtex, camada externa do cérebro, tem a função importante de intervir na estrutura mais complexa do composto, nas sensibilidades que se passam externamente, na capacidade motora, no raciocínio, etc. Ele conduz as mensagens ao chamado sistema límbico que permite ao indivíduo adquirir compostos mais adaptados à sobrevivência da espécie.

Já o hipotálamo, feixe de células nervosas, tem como função não só integrar o sistema endócrino ao sistema nervoso autônomo, respondendo pelo estado de humor e regulação hormonal. Também é responsável pela manifestação das emoções e sentimentos.
Essas mudanças mostram-nos o processo de todo envolvimento psíquico e orgânico ocorrido no corpo.

Veja como o estresse atua sobre o corpo.
Cérebro
O cérebro possui uma família de substâncias conhecidas como opiáceos, responsável pela sensação de bem-estar. Produz também a serotonina, que faz o cérebro relaxar. Submetido ao estresse, o cérebro diminui a produção das duas. Devido a esta baixa produção desses hormônios, a pessoa torna-se irritável, tensa, e às vezes, insone.

Bruxismo
A pessoa estressada costuma ranger os dentes, o que pode desgastá-los e deslocar a mandíbula a ponto de pressionar os nervos da face. Isso produz zunidos nos ouvidos e até tonturas.

Perda de memória
As glândulas supra-renais fabricam adrenalina, que mantém o corpo alerta, e cortisol, que energiza os músculos. Com a elevação dos índices de estresse, há um excesso na produção de cortizol. Em excesso o cortizol reduz a resistência às infecções, que podem causar a morte de neurônios, envelhecimento cerebral e perda de memória.

Diabetes


Diabetes  Tipo 1 e 2

Diabetes tipo 1 (Diabetes insulino dependente) (10% dos diabéticos)

Geralmente aparece ainda na infância, o corpo produz pouca ou nenhuma insulina, sendo preciso tomar doses de insulina diariamente para sobreviver.


Como isto ocorre.

Quando  ingerimos uma refeição, o carboidrato encontrado em doces, pães, massas, etc são transformados em açúcar (glicose) para poder ser absorvido pelo nosso organismo. Esta glicose é distribuída e serve de fonte de energia para nossas células, a partir do momento em que entra em nosso sangue.
A insulina é o hormônio responsável pela passagem da glicose do sangue para as células e órgãos do nosso corpo.
A pessoa com diabetes tipo 1 não consegue fazer esta transferência da glicose para as células, fazendo com que o sangue fique hiperglicêmico (muita glicose circulante).


Diabetes Tipo 2 (Diabetes não insulinodependentes) (90% dos diabéticos)

Geralmente ocorre na idade adulta, pelo excesso de peso e má alimentação. A insulina é produzida em quantidade normal ou aumentada, porém não ajuda o corpo a usá-la de forma adequada.
Com o tempo, uma alimentação com excessos de doces e carboidratos prejudica a função do pâncreas, fazendo com que a pessoa passe a necessitar de doses de insulina.


Como isto ocorre.

O corpo produz insulina após uma refeição com doces e carboidratos, porém esta insulina, por estar “defeituosa”, não consegue colocar toda glicose que está circulante no sangue para dentro das células.
O sangue fica com excesso de glicose e todos os problemas aparecem.: Má circulação, fadiga, perda de peso, dificuldade de cicatrização, doenças renais, problemas dentários, distúrbio erétil no homem.



Você sabia???

Por que o diabético tem sede excessiva?
Porque o sangue fica “doce” e denso (grosso) e o corpo precisa diluir este sangue.



Por que o diabético sente vontade de urinar com frequência?
Porque o corpo sente necessidade de eliminar o excesso de açúcar no sangue.


Por que o diabético tem fome excessiva?
Porque não entra energia (dos alimentos) suficiente do sangue para as células e órgãos.


Por que geralmente o diabético tem pressão alta e problemas cardíacos?
Devido ao sangue mais grosso e ao colesterol e triglicerídios elevados.


 Material pesquisado no google.


Agente da Pastoral da Sobriedade
Participante do Grupo Esperança Viva
Agda


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um novo jeito de sentir (Declaração do filho, após 3 anos "limpo", sem drogas.

Um novo jeito de sentir.

Caminhei por mundos tenebrosos, onde a vida era somente frestas de luz, uma luz toldada de drogas, de rebeldia, de revolta e medo. Mas este medo se evaporava quando eu conseguia mais drogas, porque eu ficava “forte”, ficava “feliz”, era “livre”, e  com isto eu ia levando minha vida, cada dia mais longe da minha família e mais perto da “boca”.
Foi difícil o momento em que pedi ajuda, pedi socorro, porque eu sabia que iriam me tirar todo o prazer da vida, toda a sensação de felicidade. Eu não era tolo, eu sabia que meu organismo ia gritar por drogas, por prazer, por sensações inebriantes, e eu ia continuar, por muito tempo, a ser escravo da vontade, escravo da droga, escravo da dependência química.
Fui atrevido, porque interrompi meu tratamento pela metade, não porque eu tivesse a  certeza que iria conseguir sentir felicidade sem uma “cheirada”, mas porque a claustrofobia do isolamento estava me levando ao desespero, mas também porque acreditava na minha família, ela foi a guia  mestra que me guiou no meu período de recuperação.
Hoje estou a três anos sem drogas, mas aprendi a respeitá-la, não a afronto, não frequento seus pontos, não preciso provar para ninguém que sou forte e posso passar por cima dela, porque a minha força maior está no respeito ao divisor.
Reaprendi a educar minha mente, pois a plena recuperação não está só no corpo, só no organismo, está também na mente, porque somos o que pensamos, somos o que sentimos, e para sentirmos coisas boas, temos que pensar coisas boas, viver coisas boas.
Não digo que não me lembro de drogas, lembro da “lapada”  da sensação boa, porém, melhor que esta sensação, é a certeza que fui mais forte que ela, que a venci, que consegui descobrir sensações novas, sentimentos novos, atitudes limpas, hoje eu olho o mundo de frente com a certeza que sou um vencedor, porque venci a mim mesmo, venci o medo de não ter alegria pura sem drogas.
Hoje meu riso é limpo, minhas emoções são sinceras, hoje minha capacidade de amar se estende a outros, e não somente a mim mesmo, porque hoje eu sou EU, um eu sem drogas, sem vícios e sem medo.
Olho meus filhos e sinto orgulho de ser um homem capaz de amá-los, alimentá-los, educá-los, porque hoje sou auto suficiente emocionalmente, não preciso de drogas para me sentir feliz, porque o olhar dos meus filhos para mim, seus risos e seus carinhos inocentes são mais inebriantes que a sensação das drogas, é a sensação da VIDA.

(Declaração do meu filho, 3 anos após sair da internação da clínica de recuperação de dependentes químicos).

Na borda do poço

Na borda do poço.

Um dia eu desci ao fundo do poço, para apoiar o peito do pé na lama da droga, segurar a mão do meu filho e trazê-lo de volta.: Resgatado, auto confiante, vivo e livre. Livre das drogas.
Hoje, quase três anos após a saída do Ralf da internação, sem nenhuma recaída, sinto que venci a batalha, e tal qual uma grande guerreira, sinto o “prazer de Napoleão”, porque olho a planície da vida e saboreio o prazer da vitória. Senti que escalei as paredes do poço, e hoje cheguei à borda, olho para o fundo do mesmo e às vezes nem sei onde achei tantas forças, depois me lembro que escalei movida pelo amor e pela fé.
A cada amanhecer agradeço a Deus por ter me dado a percepção do caminho a trilhar, a certeza que nunca posso interromper meus passos nesta caminhada, pois não posso abandonar a luta contra a dependência química, porque no mundo há muitos “Ralfs”  tocando o pé na lama e estendendo a mão pedido resgate.
Meu filho está “limpo”, “de boa”, feliz, mas muitos outros garotos ainda trilham caminhos tortuosos, na fome da dependência e em contrapartida, na sede da liberdade, e tal liberdade nunca virá se não houver esperança, exemplos de superação, exemplos de vitória, como o nosso, a gritar ao mundo que Deus existe e que a dependência química pode ser vencida. Sentimos orgulho de sermos luz, de sermos esperança para quem ainda luta para se livrar das drogas.
Mães, não abandonem a caminhada, porque o que está em jogo não é somente um homem,  uma mulher, é o(a) seu filho(a), fruto de seu útero, que traz em sua corrente sanguínea o seu sangue,  e na mente, mesmo adormecida, os seus ensinamentos.
Quantas noites eu tentei adormecer porém a sombra do medo turvava meus pensamentos, o medo surgia como garras assombrosas, a vontade de abandonar tudo “à Deus dará” era muito forte, porém mais forte foi a minha vontade de não perder meu filho para as drogas, e nesta quebra de braços nós vencemos, porque nunca perdemos a fé, porque nunca desistimos, porque a vontade de deixar as drogas no passado superou todos os obstáculos surgidos.
Aprendam a olhar de frente a vida, mesmo que ela lhe pareça turva, porque através da penumbra da droga, há o vislumbre de um novo amanhã,  e é este vislumbre que lhes guiará para uma nova vida, um novo florescer, um novo renascimento – SEM DROGAS.

domingo, 25 de março de 2012

A visita do medo

A visita do medo.

Dois dias no  CECOM


Hoje fui ao Cecon (Hospital do câncer de Manaus). É onde há o interlúdio, a "quebra", entre a vida e a dor. É onde temos que andar trilhando a fé, a ânsia de viver, a esperança da cura, onde a matéria deve representar pouco, e o pouco que representa é triste.

E foi lá, neste dia de medo, que senti que nós só somos o que sentimos, e não o que temos.  E o que sentimos às vezes se transforma em dúvidas, medo e anseio. E também tristeza, por ver tantas mulheres mutiladas no corpo e na alma. Há homens também, mas a incidência maior é na mulher. São corpos deformados, onde o câncer come as carnes, fere os ossos, onde os corajosos esperam a cura e os desesperançados pedem a morte.

É muito triste, quem lida diretamente com doentes sabe disto, mas eu sempre viví no meio do riso e da alegria, do diálogo com os clientes o dia inteiro, com o comando aos funcionários, e hoje não pude comandar ninguém, não pude rir, porque o riso estava longe do meu rosto, realmente não consegui rir, e me perguntei se sou corajosa ou covarde.
Amanhã vou lá novamente, e espero que amanhã eu esteja mais forte, eu esteja mais preparada, porque hoje senti tanta vontade de dar alento a muita gente mas não pude, porque eu não soube o que dizer. Eu que sempre levei esperanças a muitos, hoje eu dei somente um olhar, e nada mais.

No segundo dia foi mais fácil porque nosso espírito está preparado a não levar o mesmo susto duas vezes seguida, e pude analisar com mais tranquilidade tudo o que eu via.
Lenços na cabeça, uma nova moldura à aparência da mulher, onde se esconde um couro cabeludo, sem ser mais cabeludo, onde o emocional de cada uma molda uma nova aura, porque já houve uma transposição entre o antes e o durante, porque os grandes obstáculos da vida geram um marco na nossa existência, gera um divisor.

Há o medo palpável nas fisionomias presentes, mas também risos de, espantem, pacientes de longa data, onde o medo inicial já foi substituído pela brisa da esperança, onde há vislumbre de um novo horizonte de cura. Há também muitos rostos mutilados, pedaços amputados, sacolinhas coletoras penduradas, declaração viva da doença existente e ainda não vencida, prova viva da nossa fragilidade e mortalidade.
O cuidado observado de se evitar o aglomerado e o acotovelamento, onde a dor é uma constante em muitos.: A dor física e emocional, quando há penumbras na alma. Para muitos não seria fácil enfrentar uma guerra de “cheguei primeiro” ou então “vivi minha vida pra terminar assim?”.  O serviço de auto-falante é usado com destreza, passando informações claras e constantes a todos que aguardam sentados (SENTADOS) a sua hora de consultas.

Lanche gratuito para pacientes e acompanhantes, pois muitos chegam no Cecom só com o dinheiro do ônibus, e passariam fome. E um corpo esfomeado é um corpo triste – A fome é triste, a dor é triste – E se puder eliminar pelo menos um dos inimigos (a fome), luta-se somente com a dor. Lanchei, apesar de ter dinheiro para pagar meu próprio lanche em outros pontos que pudesse lanchar, para falar com conhecimento de causa de que o leite não é azedo e o pão não é dormido.

O atendimento humanitário (gente a gente) é realmente de gente para gente e não de funcionário para bicho, pois é o que ocorre em muitas repartições públicas, onde os funcionários, estressados pelo meio em que trabalham, transferem adiante a aridez de seus sentimentos.

Quando o funcionário fala “algumas consultas podem demorar porque aqui é um “hospital de câncer” e exige tempo na consulta”, denota nesta frase todo um respeito pela dor e angústia do próximo e não somente a rigidez de uma necessidade de terminar logo a sua carga horária e ir embora. É um amor pelo próprio trabalho realizado.

Reconheço que não é fácil executar um trabalho em um ambiente em que para muitos (pacientes) seja o “quarto escuro dos pesadelos” e para outros seja a “porta do cemitério”, pois o próprio baixo astral dos “visitantes” tende a contaminar com mau-humor todo o ambiente.

O que muitos não se lembram é que no Cecon também poderá ser o reinicio de uma nova vida, sem câncer, sem dor, sem medo, e acredito que é nessa premissa que os colaboradores se norteiam para, a cada dia, com o seu trabalho, levar solidariedade àqueles que os procuram.

A gratificação dificilmente será visível, porque quando o sorriso daqueles que aqui um dia estiveram aflora, eles já estão longe, no seio da sua família. Mas o riso não se perde, assim como a esperança da cura também não, porque nem tudo é palpável, mas se houve a cura há o riso, em qualquer lugar, seja perto ou longe.

Assisti um momento com o grupo Gamma, e achei válido o intuito de levar DEUS a todos, com mensagens de esperança e fé, lembrando a todos que um dia temos que partir, portanto, enquanto esse momento definitivo não chega, vamos viver com alegria e fé. Não somos somente matéria, somos matéria e espírito, e, se a matéria está doente, vamos manter nosso espírito sadio, para que haja um balanceamento na nossa vida, afinal, nem só de pão vive o homem.

Os banheiros funcionam (há uma pia necessitando de reparos), e tem papel higiênico de qualidade, e isto é raro em inúmeros lugares públicos, observei também a brinquedoteca, para as crianças em tratamento e (eventualmente) os filhos de pacientes em tratamento ambulatorial, mais um exemplo de humanização.

Tudo isto nos mostra que, não importa nosso orgulho ou nossa soberba, somos mortais, e como tal, não vamos agir como deuses pagãos, e sim como mortais, nem melhor nem pior, respeitando o próximo, nos doando em prol de um bem maior, porque, quando nossa hora da “partida” chegar, nós tenhamos “créditos espirituais” e possamos ter a certeza que realmente VIVEMOS e não somente que só passamos por esta vida vegetando na mentira emocional de que somos GENTE.

Por traz de todo esse labor, existe uma administração, e é daí que vem a “política de trabalho”, é daí que vem a orientação, as diretrizes a serem seguidas, o respeito pelo paciente, o respeito pelo dinheiro público, dinheiro este usado para cicatrizar as feridas do câncer. Esta administração, até onde pude observar (só visitei o ambulatório), está de parabéns pelo trabalho executado, pois leva em conta os meios para justificar os fins.: Não importa somente a cura, mas sim como cura. Com humanidade.
Parabéns ao CECOM, foi válido conhecer o trabalho de vocês, mas espero que, dependendo dos resultados dos exames laboratoriais, esses dois dias de visita aí fique somente na memória, porque, apesar de toda boa percepção que tive, espero não retornar...

Agda Meneses

e-mail                   agdameneses@gmail.com

Matéria postada no blog.: WWW.cicatrizesdadroga.blogspot.com