sábado, 5 de janeiro de 2013

Algemas da Alma


4)    Algemas da alma.
Conforme Augusto Cury (psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor), conhecedor da mente humana de forma espetacular, ele nos dá um conhecimento amplo a respeito da nossa memória e de como as drogas atuam sobre a mesma, formando algemas na mente e na alma, prendendo os usuários de forma intrínseca, impedindo-os de se libertar do vício, conforme especificado.:  “A memória e o fenômeno RAM. Todos os dias produzimos inúmeras cadeias de pensamentos, ansiedades, sonhos, angústias, prazeres, que são arquivados automaticamente na memória.
O registro das experiências na memória é involuntário, não depende da vontade consciente do homem. Você pode ser livre para ir aonde quiser, mas não é livre para decidir o que quer registrar na sua memória. Se viveu experiências ruins, se passou por uma angústia, se houve piques altos de grandes emoções, boas ou más, tudo é registrado na memória.
Cuidar da qualidade daquilo que é registrado em nossas memórias é mais importante do que cuidar das nossas contas bancárias. Nestas, você deposita dinheiro, naquelas, você faz os depósitos que financiarão sua riqueza emocional.
Cada pensamento e emoção são registrados automaticamente por um fenômeno denominado RAM (Registro Automático da Memória).
As pessoas dependentes de drogas possuem uma quantidade de experiências emocionais muito maior do que as que não as usam. Essas experiências também são qualitativamente mais tensas do que a média dos mortais. Elas estão saturadas de ansiedade, humor deprimido, desespero, piques elevadíssimos de emoções desenfreadas. O fenômeno RAM vai registrando continuamente  essas experiências em zonas privilegiadas da memória, o que as deixa mais disponíveis para serem lidas e utilizadas.
Cada vez que usam drogas, algumas cenas são filmadas em zonas privilegiadas da memória. Uma mente sem metas e sem sonhos vai sendo formada, clandestinamente. Como as drogas produzem efeitos intensos na psique, esses efeitos ocupam espaços importantes nos arquivos inconscientes da memória. Tais experiências são registradas na memória, usurpando áreas nobres que deveriam ser ocupadas por sonhos, projetos, metas. Por isso, os dependentes químicos tornam-se velhos em corpos jovens.
Dá para entender, por meio desse mecanismo, porque os dependentes químicos, com o passar do tempo, perdem o encanto pelos pequenos detalhes da vida, e não conseguem extrair prazer das coisas comuns e normais. Só procuram prazer naquilo que foge do padrão de normalidade.

a)      A âncora da memória.: Como as sensações do momento do uso de drogas ficam, em grande escala, registrado na  memória, quando chega, por exemplo, aquele horário específico, ou aquele local determinado, ou  mesmo aquela pessoa próxima ligada à droga, é disparado o gatilho da memória. Assim, o usuário não pensa em outra coisa a não ser em usar drogas.

Qual o resultado disso? Um dos mais graves  é que muitos jovens queimam etapas preciosas da vida. Jovens fisicamente tão novos produzem em poucos anos um filme de terror em seu inconsciente. Em poucos anos, adquirem um estoque de experiências que muitos velhos jamais terão em toda a sua jornada de vida.  São jovens que perderam a singeleza e o encanto da vida, envelheceram no único lugar em que é inadmissível envelhecer.: No território da emoção.

A cocaína  não provoca somente  dependência física, provoca dependência psíquica, o que a torna uma droga mais sutil, pois seus usuários dificilmente reconhecem que estão dependentes, a não ser numa fase tardia. Quando o gatilho do desejo compulsivo é detonado, surge um estado de ansiedade e inquietação que os conduz a procurar uma nova dose da droga para tentar alívio.

O álcool provoca alta dependência física, pois ela tem a capacidade de fazer parte do metabolismo, da “vida”  do organismo,  a tal ponto que, na sua falta, o organismo produz reações intensas, a chamada síndrome de abstinência. Essa síndrome pode produzir desde sinais e sintomas leves até morte.

Cada droga, lícita ou ilícita, atua geralmente de forma diferenciada no organismo, umas atacando mais a parte física ou fisiológica, outras, a parte psíquica, emocional, mas todas levam a uma mesma direção.: o aprisionamento emocional, o cerceamento da liberdade, tornando prisioneiros de si mesmo jovens que deveriam ser livres para amar e ser feliz.”

b)      Canais de comunicação.
Se crítica resolvesse problemas de dependência, muitos usuários já teriam abandonado o vício, pois o que mais encontram em seu caminho são críticas. O pai critica e briga, a mãe critica e chora, o irmão critica e se irrita, o vizinho critica e fofoca, o professor critica e se solidariza, porém o problema é bem maior que a capacidade de ajudar, o amigo critica e se afasta, os parentes criticam e condenam, porém ninguém elogia, porque não encontra o que elogiar, mas o elogio cria novos canais de comunicação, portanto, é importante criar ações e situações que gerem elogios, para, a partir daí, vir o elo de ligação do dependente com a família, e a busca da cura, da liberdade, do renascimento.
Os usuários de drogas são amantes da liberdade, da alegria, do prazer, da felicidade, mas sorrateiramente matam aquilo que mais os motiva a  viver, porque a sua liberdade finda-se na próxima esquina de boca-de-fumo, se aprisiona na dívida com o traficante, se mutila junto à família, porque precisa roubar para manter seu vício, se condena perante a sociedade porque comete crimes  para continuar se drogando.

c)       Psicoadaptação.
Psicoadaptação é a incapacidade da emoção humana de sentir prazer ou dor frente à exposição do mesmo estímulo. A repetição do mesmo elogio, da mesma ofensa, mesma paisagem, mesma roupa, faz com que a emoção se psicoadapte e perca a capacidade de reação.  A repetição de qualquer ato ou fato elimina o prazer desse referido ato, pois o que era especial se torna “mesmice”, o que faz com que a mente não sinta a “pulsação” da emoção esperada. 
A atuação desse fenômeno (psicoadaptação) gera uma das mais graves consequências do uso de drogas psicotrópicas, e à medida que os usuários se submetem aos intensos efeitos da droga, vão psicoadaptando-se a eles, e, consequentemente só conseguem excitar a emoção diante de um estímulo potente, este é o principal motivo que, na dependência química, a tendência é sempre subir na escala das drogas, sendo sempre a posterior mais forte que a anterior, sempre na busca de uma “sensação relâmpago”, do prazer intenso, da “lapada” gostosa da droga, e com isto cada vez se afunda mais no perigoso mundo das drogas.
Como raramente temos no ambiente social e familiar  estímulos a emoções tão fortes  quanto nas drogas psicotrópicas, os usuários acabam perdendo, sem perceber, o prazer produzido pelos pequenos estímulos da rotina diária, como, por exemplo, dividir uma laranja com o irmão, discutir um filme, participar de um joguinho de futebol, de baralho, de damas, subir numa árvore, esconder a dentadura da mãe. Tudo isto são ações que trazem sensação de bem estar para o organismo padrão normal, mas não a um organismo viciado em drogas.
Com o decorrer do tempo os usuários de drogas se tornam infelizes, com grande dificuldade de sentir prazer pela vida. Só conseguem se animar com grandes eventos, tal como uma festa ou um show e, mesmo assim, precisam usar drogas para obter alguma excitação emocional. Dessa forma, eles destroem lentamente, e sem ter consciência disso, a parte mais delicada da inteligência humana, a emoção.
Os usuários de drogas comportam-se como se fossem os mais fortes dos homens, pois, se necessário, colocam suas vidas em risco para obter a droga, mas, no fundo, são frágeis, pois não suportam qualquer tipo de sofrimento. A dor emocional é um fenômeno insuportável  para eles, por isso, buscam desesperadamente uma nova dose de droga para sentir alívio. Nesse sentido, muitos usuários, após ficarem dependentes, usam as drogas como tranquilizantes e antidepressivos, ainda que elas sejam ineficazes e se tornem mais uma algema para sua alma, porém seu organismo prefere algemas que a opção de viver são, porque a sanidade oferecida no momento é pior que a prisão, pois não traz emoções fortes ou o prazer da felicidade em coisas simples.
Quanto mais se envolvem nesse círculo vicioso, mais se deprimem, quanto mais fogem da solidão, mais solitários ficam. Quanto mais fogem da ansiedade, mais se tornam parceiros da irritabilidade e da intolerância, e esse circulo vicioso traz uma grande perda de qualidade de vida para si e para toda sua família, porque este pesadelo não é vivido isoladamente. A família sofre junto com o usuário, participa de suas facetas, só não vivem a “felicidade química”, participam e pagam somente a “conta” da droga, que é a angústia, a insegurança, o medo e as dívidas, pois a droga é cara, e quando o dependente químico já se encontra no fundo do poço, não há dinheiro suficiente para o consumo, aí os bens familiares são arrolados neste comercio da morte.

Os índices de eficiência do tratamento de câncer são infinitamente maiores do que os da dependência de drogas, pois o câncer ataca o organismo, e as drogas ataca organismo e alma. Ao findar um tratamento de quimioterapia ou radioterapia a incidência do retorno do câncer é pequeno, enquanto que, em se tratando de dependência ao uso de drogas, o risco da recaída é imenso.
Se o dependente se psicoadaptar à sua miséria, se não tiver mais esperança de que pode ser livre, não ter esperanças de se recuperar, não conseguir ver horizonte à sua frente, e principalmente, não quiser uma nova vida, sem drogas, não há como ajudá-lo, pois ele próprio engoliu a chave da sua liberdade.

d)      Uma recaída não é a morte. Uma recaída nunca deve ser encarada como a perda de uma guerra. Uma guerra é composta de muitas batalhas. Uma recaída deve ser encarada somente como a perda de uma das batalhas.  Devemos estimular o usuário de drogas a continuar lutando contra a dependência, mesmo após as recaídas.:
1)       inserir nele a necessidade de nunca desistir de si mesmo. Persistir sempre.
2)      Tentar sempre, aprender a ser um agente modificador de sua história. Só ele pode.
3)      Não se auto abandonar. Recomeçar sempre com esperança.
4)      Não se psicoadaptar à sua doença. Não se acomodar com a situação.
5)      Aprender a ter prazer nos pequenos eventos da vida.
6)      Não ter medo das suas dores e frustrações, mas trabalhá-las com dignidade.
7)      Resgatar a liderança das suas emoções.: Você é seu próprio dono, não as drogas.

Nenhum tratamento pode ser coroado de sucesso se os pacientes não enriquecem sua história emocional e fortalecem sua capacidade de administrar seus pensamentos. Muitos prometem que nunca mais irão usar drogas.: “ Pela minha  mãe” , “pelo meu velho”, “pelos meus filhos”, “pela minha mulher”. Outros ainda, tomando as lágrimas como seu endosso, prometem.: “drogas não fazem mais parte da minha vida”. E todos são sinceros nessas afirmações... naquele momento. Mas por que não as sustentam? Porque não conhecem o funcionamento da mente, não sabem desviar os focos de tensão, sua inteligência fica travada pela síndrome da abstinência e tornam-se impossibilitados de raciocinar com liberdade.
Os usuários de drogas são os que mais fazem promessas no mundo e os que menos as  cumprem, perdendo apenas para alguns políticos, e o mais doloroso é que eles prometem não para os outros (como os referidos políticos), mas principalmente para si mesmos, e quando há a recaída, vem a imensa decepção não só da família, mas dele próprio, e, neste ciclo vicioso, ele próprio se desapaixona da luta, torna-se desacreditado, para si e para os outros, e a cada recaída mais sua estima e sua auto confiança desce “ralo abaixo”, porque nem ele próprio acredita mais na sua força.
Nada se apaga daquilo que já foi registrado na memória, mas nunca é tarde para dar prosseguimento a esse “filme da vida”, portanto recomeçar “as filmagens” com paisagens diferentes, com roteiros diferentes, transformando esse “filme de terror”  em um filme de amor.: amor pela família, amor pela vida, amor a si mesmo.
Os pássaros, às vezes, durante a madrugada, sofrem intensas agressões do meio ambiente.: frio intenso, sons que representam predadores, ventos impetuosos, chuvas torrenciais. Eles têm motivos para despertar silenciosos e angustiados, mas, ao invés disso, eles cantam, rejubilam, alegram as manhãs com seu cantar maravilhoso.

Mas manhãs maravilhosas a muito tempo não fazem parte da vida de Sergio. Ou ele acorda com medo do que virá no decorrer do dia, sabendo que pode não conseguir se afastar de mais um dia de drogas, ou ele acorda com uma grande sensação de culpa, porque realmente não conseguiu se afastar dela.









terça-feira, 14 de agosto de 2012

O frio e o cobertor


O frio e o cobertor.


No decorrer da nossa vida sempre ouvimos expressões “Está tão pesada minha cruz”... ou “Não agüento mais esta situação”, e muitas outras frases expondo o cansaço da vida e o peso do fardo acarretado pelos problemas. Muitos inclusive chegam ao extremo do suicídio como uma forma de “sanar” ou “se livrar” do  problema.

Antes de chegar ao momento em que a “tampa da panela estoura” não seria o tempo de parar e repensar na vida e nas prioridades? Por que aquele carro zero representa a minha felicidade? A conquista “daquele  gato” será a minha realização de vida? Eu me mudar para aquele bairro chique vai me deixar realizada? Eu serei mais feliz com as riquezas externas ou a paz interior?

Os tropeços da minha vida é porque sou sem sorte ou porque eu não soube conduzir as minhas passadas? Empenhei energia suficiente para que os meus sonhos se tornassem realidade? São tantos os questionamentos que as dúvidas se transformam em feridas na mente.

É válido pararmos e fazermos questionamentos sobre nossas prioridades e nossa forma de pensar. Quem não conhece o dito popular “Deus só manda o frio de acordo com o cobertor”? Se adversidades ocorrem na nossa vida é porque podemos carregá-las. As adversidades também são lições para nos tornarmos mais fortes e, quando analisadas inteligentemente, servem também para nos melhorar como pessoas.

Deus não seria injusto em te dar um fardo de feno de 50 kg pra você carregar nas costas se a sua capacidade corporal seria para carregar 30 kg. Podemos carregar até o dobro do que nos foi destinado se usarmos nossa inteligência e adaptar rodas a cavaletes, mas para isto teremos que parar de correr, para poder pensar e agir.

Somos três irmãs e, após longas ausências, nos reunimos e começamos a conversar. Cada uma de nós falávamos de “fardos pesados”.:  artrites, artroses, osteoporose, e todos os “ oses e ites” que acompanham a nossa velhice, e constatamos que eu tinha parte dos “ites”, minha segunda irmã tinha o restante e mais os “oses” e minha irmã mais velha não tinha nada. Era saudável como um toco de concreto.


Na brincadeira, falamos pra ela.
 – Maria, porque não dividimos com você um pouco dessas mazelas?
Onde ela nos respondeu, na maior sabedoria e simplicidade.:
- Ora, a Tiana trabalha dentro de um hospital, tem facilidades para médicos, exames e tratamentos. A Agda tem condições financeiras pra ir ao médico, fazer exames e comprar os remédios. Eu não tenho dinheiro, não tenho influências e não tenho contatos, por isto Deus não me deu “oses e ites”. Foi onde me veio a expressão.: “Deus só permite o frio de acordo com o cobertor que temos”.

Não é que Deus nos deu as doenças, elas são os resíduos de nossas atitudes, o resultado de nossa maneira de  “comer e viver”, as seqüelas de nossas atitudes, todas nossas “oses e ites” foram geradas por nós mesmas, porém Deus não nos abandona nos nossos frios, Ele sempre põe a mão no nosso corpo cansado e nos guia por mais uma noite sem luar.

Quando o sol da nossa vida aquece nosso corpo e a lua brilha na nossa alma muitas vezes esquecemos de agradecer a Deus pela mão estendida Dele nos nossos momentos de dor. Geralmente só lembramos de Deus quando nosso calo está doendo, aí nossa memória é boa, e aprendemos a gritar.: - Deus me ajude, atenda minhas preces. Prometo ser   uma pessoa melhor...

A maior sabedoria da vida não é aprender o caminho de acumular riquezas, é buscar a nossa paz através de um relacionamento pessoal com Deus, é achar a nossa riqueza maior na convivência com o próximo. Para realmente crescermos como ser humano, temos que estar constantemente com a mente aberta para aprender mais, para mudar as prioridades sempre que constatarmos que somos fúteis, para voltar atrás em muitas decisões tolas, para pedir desculpas, para dizer “eu te amo”, para aceitar que somos frágeis, falhos e imperfeitos.

E, da mesma forma que nos reconhecemos pequenos, podemos também reconhecer o tamanho da nossa grandeza, quando abrirmos a janela da vida, escancarar as portas do nosso coração, e deixar Deus entrar na nossa casa, não como convidado, mas como Senhor e Protetor das nossas vidas, aí sim, seremos grandes, porque somos filhos do REI, porque, conforme o Salmo 103.:
“O Senhor é misericordioso e compassivo, lento para a cólera e rico em bondade... Não nos trata conforme nossos pecados, não nos castiga conforme nossas culpas. Pois quanto é alto o céu sobre a terra, tanto prevalece Sua bondade para com os que O temem. Quanto é distante o oriente do ocidente, tanto Ele afasta de nós as nossas culpas.”

Não vamos viver a nossa vida remoendo nossas culpas nem fermentando nossas mágoas, deixe o passado morrer no passado, tire dele somente lições boas para a vida. Não viva também somente no mundo da lua, vivendo em função  de sonhos exorbitantes, viva o hoje, dê graças pelo que tem, porque o que realmente te pertence é o HOJE,  procure  viver com alegria o dia de hoje, porque a tua felicidade de hoje será uma semente plantada para que o seu dia de amanhã também seja feliz.

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Agda

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A felicidade é de graça


A felicidade é de graça.

No nosso mundo moderno a rotina normal é correr, se estressar, alcançar, superar... A isto nós denominamos  ¨Em busca da felicidade¨. Você sabia que, mesmo quietinha, você pode também achar a danada?

Como a felicidade é algo etéreo, sem cheiro, cor ou sabor,é difícil localizá-la, mas, quando localizada...  dá uma sensação tão boa!!! Mas a “ bichinha” gosta de brincar de esconde... esconde... e como não conhecemos a “fisionomia” dela, fica difícil até de botar um detetive atrás pra descobrir seu paradeiro.

Mas, quem disse que temos que procurá-la? Nós é que temos que ir a ela, ou ela é que virá a nós? Acredito que a melhor forma de ser feliz é purificar nosso interior.: Com boas ações, bons pensamentos, credibilidade em Deus, manter a paz espiritual.

A primeira vez que experimentei “Leite Moça”, a mais de 40 anos atrás, eu defini “felicidade” quando eu pudesse ter quantas latas de leite condensado moça eu pudesse comprar, o mesmo acontecendo com um famoso chocolate redondinho chamado “Sonho de Valsa”. Foram duas grandes paixões na minha infância.

Eu era muito pobre, éramos lavandeiras. Naquele tempo,  nas classes menos favorecidas, não existia o luxo de água encanada, então pegávamos as roupas sujas nas residências e levávamos para o riacho para lavarmos, e logicamente, não era próximo. Andávamos com aquelas grandes trouxas na cabeça por longas distâncias.

Gás também era luxo, usado somente para fazer um chazinho de emergência à noite, pois deveria durar meses. Ao sairmos para nossa lida, deixávamos uma panela de ferro no fogo de “trempe” , com água, sal e fava.

Foi aí que tive uma nova percepção de felicidade. Nunca mais precisar comer fava com farinha pra matar a fome. E, à medida que fui crescendo, novas definições de felicidade foram surgindo..: Quando me casei, quando nasceram meus filhos, quando passei no vestibular, quando comprei  meu primeiro carro zero, quando me tornei empresária...  

Mas à medida que vamos envelhecendo temos duas opções.: Ou virar uma velha inteligente, ou virar uma velha “gagá”. Pra virar gagá é fácil, é só achar que a vida acabou... Pra virar uma velha inteligente é só se conscientizar que nunca é tarde para aprender, para fazer, para raciocinar,  para viver.  E para tudo isto o melhor caminho é a leitura, a pesquisa, os questionamentos.

Ao invés do “sim senhor” optar por “será isto mesmo?”  e continuar pesquisando e questionando, porque o maior saber não é a resposta pronta, é a busca pela resposta.

Mas, voltando ao assunto  “felicidade”,  é a “boa realização”, e não à “boa obtenção”. Obter é bom, comprar  também é bom, mas realizar é espetacular. Devemos sempre estar em constante mutação, para obtermos sensações diferentes. 

Felicidade é aquela sensação de mel quente nas veias. E quando isto ocorre? Quando uma grande paz te alcança, quando a leitura de um livro te transporta para um mundo mágico, quando você abraça a pessoa amada, quando teu filho te sorri e diz que te ama, quando você acorda, houve pássaros cantarem e você tem certeza que gostou de se encontrar naquele lugar e naquela hora.

Mas se você não está com a alma preparada para essas pequenas coisas, ela não te diz nada, e você perde mais uma chance de ser feliz.  
Hoje já não tenho carro, não sou mais empresária, não tenho uma linda mansão, não saio estourando o cartão de crédito, mas tenho uma grande paz e a certeza que continuo me filtrando pra ser uma pessoa melhor, e a consciência de que estou realmente vivendo, e não vegetando.

Já plantei uma árvore (mais de uma), já tive dois filhos, já escrevi um livro (Quando a semente germina),  já completei 50 anos (tenho 52) já tropecei, cai e levantei, e aprendi tanto com os tropeços quanto com a queda, e hoje sei que sou uma pessoa melhor porque reconheço que sou pequena, frágil, mas tenho um grande amigo que é Deus.  

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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pedaços caindo


Pedaços caindo.

O mundo, principalmente o mundo feminino, é movido pela vaidade. Em algumas (ou muitas) a vida é movida pela pele, unhas, silhueta e cabelos, outras, nem tanto, mas continuam sendo mulher, e os quesitos acima mencionados também são importantes.  Não representam a sua vida na totalidade, mas faz parte da sua composição como pessoa.

Mas a vida gosta de brincar de pega-pega com algumas pessoas, e as “escolhidas” tem que entrar no jogo e superar alguns obstáculos, porque se não “entrar no jogo”  entra em pânico e perde a jogada.

Eu não entendi porque, dentre tantas, eu fui a escolhida. Mas me escolheram. Acredito que há um propósito posterior, que eu ainda não sei... Mas que há... Com certeza há...
E um dia eu acordei, tomei banho e... ao passar a mão nos cabelos... (Não penteio os cabelos porque são encaracolados, tipo parafusinhos), pois é... só passei a mão, e olha aquele montão caindo... Bem... vou bater com mais cuidado.

Uma semana depois percebi uma unha toda verde, opa, devo ter topado em algo e não me lembro... Só que três dias depois mais três unhas... Unhas de Hulk? Além de verde, estão se soltando... Hum... algo está errado. Mas eu gosto de unhas desenhadas, adesivadas, mas agora acho melhor não passar esmalte.

Mas a “brincadeira”  não parou por aí... O “parceiro invisível” queria brincar mais... E percebi que, ao escovar os dentes, a gengiva sangrava e eu estava com 2 dentes um pouquinho instáveis.

Ao me vestir, comecei a perceber que algumas roupas não entravam mais, apesar de serem folgadas...mas...  braços e pernas continuam sendo “cambitinhos”, porém percebi que meu abdome estava tão dilatado... aquele buchinho proeminente... Puxa... Mas eu estava tão feia...

Eu sabia que, com o tratamento que eu estava fazendo, cabelos iam cair, náuseas e diarréia  me atacariam, etc, mas só me informar era uma coisa... vivenciar era outra bem diferente. E não estou achando nada divertido tudo isto, mas estou procurando levar “na esportiva” tudo isto, mas às vezes uma coisa chamada “pânico”  me ataca, e eu continuo buscando a “força de Agda” e passar por cima de tudo isto.
O que posso fazer? Escrever sobre isto, diluir o medo em palavras, e pela diluição buscar esperança, buscar fé, e acreditar que esta é somente mais uma fase, mais um obstáculo a transpor, porque a vida é composta de fases... Fases boas e ruins... As boas para curtir e as ruins para nos fazer crescer... amadurecer... (e cair???)... Acho que não... Amadurecer e alimentar outros com exemplos de superação e amor de Deus.

Esta fase eu vou superar, é só mais uma fase... E vou vencer o meu “amigo invisível”, que brinca de pega-pega comigo...Vou mostrar pra ele que sei jogar e sei vencer e sei vencer, porque tenho Deus no meu caminho.


Agda

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um grito de medo


Estou com medo.


Estou com medo de recomeçar. O futuro me apresenta como uma estrada sinistra, com curvas perigosas e retas mortais. Não sei o que fazer, porque o medo está bloqueando minha mente. Meu corpo está cansado, porque sinto que caminhei muito e estou morrendo na praia.

Senhor, não me deixe fraquejar, porque até hoje fui uma mulher forte. Venci todas as batalhas que me foram apresentadas pela vida, mas agora estou com medo. Medo de fracassar, medo de não achar forças, medo de não achar saída para os obstáculos que virão a mim.

Muitas pessoas dependem de mim, não sou única nesta caminhada, e isto torna minha cruz ainda mais pesada. Sinto vergonha de ter medo, mas hoje criei coragem para admiti-lo, e agora que admiti, não sei o que fazer, como agir, nem como pensar, porque até pensar dói... Uma dor interior muito grande.

Ao olhar pela minha janela, sinto que a vida continua, independente da minha dor, independente do meu medo, e sinto que sou somente um grãozinho de areia nesta grande praia da vida.  As areias da vida tornam as passadas cansadas.

Acredito que chegou a hora de prostrar os joelhos ao chão e pedir luz e força, porque somente o “Homem lá de Cima” pode me iluminar para que eu permaneça sendo luz e guia para meus filhos, meu esposo, meus amigos e familiares.

Senhor, na minha maior humildade, no meu maior momento de agonia, te peço ajuda, te peço forças, porque somente Tu tem Todo o Poder para me ajudar, para me mostrar o caminho da Luz, para que eu possa prosseguir a caminhada, porque sinto que ainda não é hora de interromper a minha caminhada.

Muitos passos ainda terei que dar para me sentir realizada, para sentir que cumpri minha missão na terra. Deus, me ajude, me conceda aquela força que sempre tive, meus poderes de Agda, porque, mesmo nas adversidades, sempre achei “aquele jeitinho brasileiro” e contornei todos meus obstáculos.

Sempre nas minhas vitórias eu soube olhar pra trás e às vezes me surpreender pelo tamanho das passadas, então porque agora estou com medo de dar um pulinho? Onde perdi minhas forças? Onde minha luz se apagou?  Não, Senhor, não deixe minha “lamparina” se apagar, porque, até a menor luz pode iluminar a caminhada quando o caminho está em trevas.

Senhor, espero que a centelha da Tua Grande Luz reacenda a minha pequena lamparina, porque sem a Sua Luz Guia meu caminho fica em trevas, e eu dependendo pelo menos de uma pequena Luz Tua para reacender a chama da minha fé e da minha esperança.

Preciso de esperança, e para ter esperança eu preciso de fé, e para vir esta fé eu preciso abrir novamente meu coração para que Tu possa entrar e guiar meu caminho, como tem feito até agora. Sinto que ainda não é o momento da minha luz se apagar, porque ainda QUERO CONTINUAR, quero prosseguir, quero ter riso, saúde, amor e alegria, e pra isto eu preciso da TUA MÃO.

Ó MEU DEUS, faça com que a brisa calma e suave do sopro do Seu Amor entre novamente e eu volte a ser mãe guerreira, esposa forte, amiga fiel, se isto for a TUA VONTADE, porque, na minha pequenez, eu talvez não esteja vendo ou aceitando que é a hora da fragilidade na minha vida, mas eu tenho medo de ser frágil.

Talvez a força maior agora seja exatamente ser pequena, ser dependente total de Tua Ajuda, então, por favor MEU DEUS, me dê forças para que eu suporte ser frágil e pequena, para que eu possa sempre Te Amar e Te Aceitar, e que eu seja forte o suficiente para aceitar a minha pequenez, porque eu tenho que aceitar que “SEJA FEITA A SUA VONTADE”,

Sempre rezei melhor com os dedos, transmitindo o que vai no meu coração pelas teclas do computador, e neste momento eu digito.: Pai Nosso que estais no Céu... e na terra, e próximo a mim, me faça aceitar com sabedoria tudo o que está por vir, e agradecer tudo o que tive até aqui, pois milhões de pessoas nunca tiveram o que tenho e nunca sentirão as alegrias que já senti até aqui.

Obrigado Senhor, pelo que fui, pelo que sou, e pelo que serei no futuro, porque a Ti devo minha vida e minhas vitórias, sem Sua Luz eu não teria chegado aonde cheguei, eu não teria um espírito capaz de aceitar tudo o que virá. Que até as lágrimas que eu venha a derramar seja somente para purificar todo o meu ser, e nunca maldizer as dores e mazelas da vida, porque, além da vida há Deus.

Obrigada Senhor...

 (Um grito de medo, porque estou doente, porque estou saindo da minha vida profissional, porque estou me sentindo sozinha e insegura.)



domingo, 8 de julho de 2012

Nossos filhos nosso amor.


Nossos filhos, nosso amor.

Por um filho cometemos tantas loucuras e tantos desatinos... É a força do sangue? É a força do coração? É a força da mente? Do espírito?... Por ser tão inexplicável, também são inexplicáveis nossas atitudes de mãe. Onde achamos tanta força e garra pra lutar por nossos filhos?

Nosso coração dói e sofre as dores dos nossos filhos, gostaríamos sempre de colher com a mão todas as suas angústias e trazer para nós vivermos com elas e eles viverem “felizes para sempre”. Se isto não é possível, às vezes nos sentimos impotentes por não cobri-los com nosso manto de proteção, e com isto às vezes “abafamos”  nossos filhos e não os deixamos se ramificar e florescer, mas nossas intenções são sempre as melhores.

É muito difícil para uma mãe deixar o filho crescer e “se desmamar”, porque temos medo que eles sofram, que eles chorem, que eles errem, e às vezes colhemos para nós os erros de nossos filhos, e com isto retardam o amadurecimento deles, mas mesmo assim nos sentimos felizes por poder estar colaborando com o seu bem estar.

Mas, se para um filho é difícil “levantar voo”  para o mundo, imagine pra mãe que fica “no galho” só olhando? Dá um vazio danado, uma solidão angustiante, um medo que eles sejam “abatidos”, e constato que não é só o filho que tem que amadurecer nesta nova fase, somos nós mães também que precisamos deste amadurecimento, desta serenidade.

Os filhos veem e vão, e nós permanecemos mães, permanecemos protetoras, fortes e frágeis, mas se o filho der um “pio”, olha nós lá correndo, amparando, consolando, e não conseguimos detectar de onde vem tanta força, tanta garra, tanto amor. Por mais práticas que sejamos, somos movidas por amor quando o tema é “filhos”, pois muitas vezes vivemos a vida deles, as alegrias deles, e esquecemos da nossa própria vida.

Muitas vezes já escondi os erros dos meus filhos, para evitar atritos, para evitar confusão, e intimamente talvez para mostrar a eles que continuo sendo uma super mãe, e com isto esquecendo de cortar o “cordão umbilical”  que me liga aos meus filhos, mas sei que isto não é correto, eles têm que viver as suas próprias vidas, amadurecer, se fortificar para enfrentar o mundo, afinal, não vou “virar pedra”, um dia irei para outro plano, e quando eu for, quem vai cobri-los com o manto da proteção?

Os atritos com noras serão crises de ciúmes? Será rebeldia nossa por nossos filhos terem “nos trocado” por elas?  Será despeito porque agora elas “tomaram”  o nosso lugar? É bem verdade que, às vezes, temos que dar graças a Deus por elas estarem cuidando dos nossos “folgados”?  E o medo é que não estejam cuidando, estejam descuidando da função primordial que é serem felizes.

A todas as mães eu digo.: Ame-os, muito... muito... Mas não vamos nos eliminar como pessoa, como gente... para viver somente em função dos filhos. Procurem ser auto suficiente emocionalmente, para que eles não se sintam tão “carregados”, tão cobrados, procurem ser sempre uma brisa de amor na vida dos filhos, e não um furacão de cobranças, exigências,  choradeiras.

Os filhos vieram para irem-se um dia, e o momento da ida tem que ser tranquilo, para que eles possam ter personalidade para trilhar os caminhos sem o fardo da culpa, para que eles sejam homens e mulheres saudáveis de mente e de coração.
Agda Demétrio


Agda

domingo, 1 de julho de 2012

A maturidade do NÃO


A maturidade do não.
Sabe o que é maturidade? É fazer o que quer, sem se preocupar com “o que vão pensar”, desde que isto não atinja negativamente o próximo.
Passamos boa parte de nossa vida fazendo o que vai agradar a fulano ou beltrano, quando na verdade nós deveríamos viver a própria vida, porque a felicidade, o prazer, a alegria, é vivida pelo EU, e não pelos outros, mas é tão difícil ir contra preceitos que nortearam nossa vida desde o nascimento.
Aprendi isto somente quando passei dos 50 anos, e hoje procuro a “minha alegria”, a “minha realização”, o “meu projeto de vida”, porque já passei da fase de viver a vida do marido, dos filhos, da sociedade,  porque “é bonito” ser assim ou assado.
Hoje já não tenho medo de dar uma virada no guarda roupa ou elaborar uma nova rotina na minha vida, levando-se em conta o meu próprio bem-estar. Já não me sinto constrangida por usar um montão de cremes pra clarear o rosto, a usar unhas desenhadas, ou a descer para o trabalho um pouco mais tarde porque quero curtir um pouco mais meu banho da manhã.
Já não quero correr mais contra o relógio, se já estou na linha descendente da vida (tenho 50 anos e pretendo chegar aos 100), então é hora de apreciar cada momento da minha vida, quero sentir melhor o gosto do café (sem queimar a língua devido à pressa), quero apreciar melhor aquele capítulo do livro sentada no vaso sanitário, quero alongar melhor o corpo na hora de acordar, afinal, 50 anos exige melhores cuidados com o corpo.
Aprendi a dizer NÃO para muitas coisas e muitas pessoas, e estou aprendendo a não ter vergonha ou constrangimento disto. Dizer Não pra aquela pessoa que te olha e te enxerga somente como um cofre, Não pra aquela pessoa que faz seu ouvido de penico. Está na hora para eu começar a viver a minha própria vida.
Mas aprender a dizer NÃO é também uma ciência, não basta somente decidir e... PAM... acontecer, pois é uma decisão difícil, por isto que a maturidade tem que vir munida de certeza. É isto mesmo que eu quero? Quero viver primeiramente em função de mim mesma, ou viver em função dos outros? O que deve vir em primeiro lugar? Eu decidir viver primeiramente em função de mim mesma, porque se eu não me amar incondicionalmente eu não poderei me apaixonar por mim mesma, vou ser sempre a segunda da fila, e eu quero ser a PRIMEIRA.

Agda